quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Capacidade





Capacidade

Custódio era um menino esperto e vivia às voltas com insetos que lhe despertavam o interesse.

Gostava de observar besouros, formigas ,até as delicadas joaninhas. Tudo para ele era motivo de maravilhamento . No sótão de sua casa gostava de colecionar grilos, mandarovás e vários bichinhos rasteiros, que para ele representavam uma diversão.

Certa noite burlesca com trovoada intensa, pôs-se a indagar pela janela de onde vinham tantas rajadas de vento. E teve a sorte de deliciar-se com uma imensa cobra, que até o peitoril da janela alcançava.

Assustado recuou, mas como sempre fora valente, voltou os olhos em indagação.

A serpente o fitou, e ambos ficaram petrificados tamanho o impacto causado.

 A cobra que tinha uma aparência tétrica, era mansa, e pediu resguardo, dizendo que ali naquele sótão gostaria de pernoitar somente por aquela noite.

O menino assustado aquiesceu a indagação e ambos após travarem amizade, juntos passaram por aquela tempestade. Quando pela manhã acordou, a cobra já havia ido.

 Somente doces lembranças restaram daquela que tão temida,  de forma exótica, enorme, quase monstruosa, mostrou-se uma ótima companheira.

As lembranças que nos ficam, não obedecem a forma mas sim a doçura e a complexidade dos sentimentos. A forma nada significa, porém o conteúdo , este é o mais valioso.

Assim o menino pensou!