Nas
emboscadas, em situações capciosas que a vida trama, tal um melodrama, o
itinerário dos dias é o constante cambalear.
Quando a neve
parece enregelar os sentidos, pelas cruezas sofridas, quando a lida parece sem
valor, quando se perde o sabor, e sem sinal de melhora, então a hora parece
fatal.
Heróis são todos
aqueles que sobrevivem as agruras diárias, onde o inimigo invisível é a falta
de parcos tostões, ou a indigência de afeto indizível aos borbotões. Heróis de
valor em todas as artimanhas, nas batalhas tamanhas, onde contra se
arregimentam forças broncas, onde o saber, o construir parecem desaparecer a
golpes de artilharia, iguais a madrugadas frias. O destruir por prazer se faz
brado forte, onde a angustia convive lado a lado com a morte indiscriminada nos
campos de batalha, feito um lazer.
Uma vida nada vale,
é lema, é emblema de tantos.
O exterminar virou
o brado retumbante, homens e mulheres nada relutantes em costurar o avesso dos
sentimentos, onde a destreza de manusear uma arma se encontra no meio do banco
escolar.
Mundo surdo, sujo e
hipócrita, onde o comércio ilegal se faz legalizado, onde a causa do
defender-se pode render a falência, o nocaute de várias vidas ao dissabor.
Mundo onde o sentido profundo se perde, onde a metralha se faz na recusa de
migalhas, sem valor.
Homens sem lábaro,
sem camisa, sem comiseração, saem às ruas sem sinal de bravura, sem sinal de
esperança, onde a força do fuzil se cruza na bala não achada, mas na perdida no
cruzamento, abaixo de um firmamento, num céu de anil.
Força que não se
faz armada, vem despertar a caçoada, e na força tênue a descoberta que o
desmoronar começou.
Cedo, muito cedo,
crianças vis, seviciadas são enjauladas, é o fincar as guampas no inferno, e o
grito estéril nada repercute na força bruta, na artilharia atroz.
Ó Céus, para
onde vamos todos nós?
Laís
Müller
Brasil
