quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Quando tudo parece perdido ainda há uma chama



Nas emboscadas, em situações capciosas que a vida trama, tal um melodrama, o itinerário dos dias é o constante cambalear.
Quando a neve parece enregelar os sentidos, pelas cruezas sofridas, quando a lida parece sem valor, quando se perde o sabor, e sem sinal de melhora, então a hora parece fatal.
Heróis são todos aqueles que sobrevivem as agruras diárias, onde o inimigo invisível é a falta de parcos tostões, ou a indigência de afeto indizível aos borbotões. Heróis de valor em todas as artimanhas, nas batalhas tamanhas, onde contra se arregimentam forças broncas, onde o saber, o construir parecem desaparecer a golpes de artilharia, iguais a madrugadas frias. O destruir por prazer se faz brado forte, onde a angustia convive lado a lado com a morte indiscriminada nos campos de batalha, feito um lazer.
Uma vida nada vale, é lema, é emblema de tantos.
O exterminar virou o brado retumbante, homens e mulheres nada relutantes em costurar o avesso dos sentimentos, onde a destreza de manusear uma arma se encontra no meio do banco escolar.
Mundo surdo, sujo e hipócrita, onde o comércio ilegal se faz legalizado, onde a causa do defender-se pode render a falência, o nocaute de várias vidas ao dissabor. Mundo onde o sentido profundo se perde, onde a metralha se faz na recusa de migalhas, sem valor.
Homens sem lábaro, sem camisa, sem comiseração, saem às ruas sem sinal de bravura, sem sinal de esperança, onde a força do fuzil se cruza na bala não achada, mas na perdida no cruzamento, abaixo de um firmamento, num céu de anil.
Força que não se faz armada, vem despertar a caçoada, e na força tênue a descoberta que o desmoronar começou.
Cedo, muito cedo, crianças vis, seviciadas são enjauladas, é o fincar as guampas no inferno, e o grito estéril nada repercute na força bruta, na artilharia atroz.
 Ó Céus, para onde vamos todos nós?

Laís Müller
Brasil