quinta-feira, 14 de abril de 2016

Ponto Cheio



Desperta pelas claridades da suave manhã, envolta na delicada paisagem se encontra a artesã.
Absorta, o trabalho exorta, tão pacificada, aplicada borda. É o ponto cheio a preencher, passa  o entremeio, sem tempo a perder.
Fina a agulha reta, treliça e ponto nó, da bainha aberta, da roseta ao rococó.
Em retirada estratégica, busca a paz de um refúgio, numa escapada  enérgica, sem deixar vestígio. Esquece  a mantilha, embora o vento frio, longe da matilha de soar  vazio.
Só, sozinha , senhora de si, parece que adivinha, o que diz o bem-te- vi.
Artesã de fio e linha , a paz que a circunvizinha vem do labor, faz do trabalho ladainha, num simplório hino de amor!