Romance e insinuação iniciam
com vermelho.
Cor e rubor
aditivos são, de que se valem os folhetins, em paralelas projeções em carmim.
Sugestivas são as
belas, das populares novelas, tanto quanto nos contos eruditos, que se
aventuram ao inaudito.
Irônicas ou
simpáticas, figuras enigmáticas, que tapeiam a desventura na sombra de um
leque, onde a candura da face pode representar um blefe.
A cor modela, todas
elas, senhoras, donzelas, trajadas em gala, na seda que farfalha resplandecem
adornadas, de cetim cravejadas. Ombros desnudos, insinuantes, lábios carnudos,
batom berrante, compasso ardente, que mascara, onde quiçá a tara é de uma
frieza cortante.
Segredam, ou talvez
não se importem de se portar, como figuras pictóricas, imagens alegóricas, que
do real carecem ser, mas se parecem como o social deseja ver.
Poço de desejos?
Quiçá na pose, que nada tem de seu, e que somente oferece a face oculta da
gazela, que vai à luta e engambela cujos ensejos perdeu.
Envolta em púrpura
e galanteios, emblemática em vermelho, habita um mundo acrômico, sem separar o
antagônico.
É carmim, a dúbia
imagem no espelho, rodeada de luz no camarim, onde as mazelas se escondem por
detrás de imagens belas!
Laís Müller
