Era uma tarde febril de sol
fogoso, onde os pináculos exuberantes exalavam ouro.
Arrebatada por um
poente soberbo, na exótica e indescritível paisagem, diviso uma imagem
suntuosa, que assemelhava uma ninfa celestial.
Extasiada me
prostro, mas não recuo, e a flamejante figura parece preocupada com o paradeiro
de alguém. E estonteada arrisquei:
- O que fazes
sublime senhora, ostentando tanta beleza, com este arco nas mãos?
- Sou
guardiã! Respondeu incisiva.
- Protejo os
pássaros, sou deles uma soberana invisível, mas por instantes, deixo-me ver.
Defendo-os dos caçadores, que não têm perfeito juízo, nestes céus já tão
despovoados, ainda ferem os pobrezinhos, que vivem sobressaltados. Após
devassarem as matas, seus lares, ainda não suportam os ver voar, com seu planar
enfeitando os céus.
E após este
murmúrio, numa voz vibrante em augúrios, desapareceu!
Laís Müller
Brasil


