Um minucioso olhar pode perder-se na vastidão e voltar-se a
um único ponto.
O perscrutar demoroso a entreter-se na amplitude , na
imensidão se banhar, abandonando-se de pronto a repousar em longitude alargada.
Mirar profundo num arremesso febril, centrando o enfoque
numa alvura gentil, irradiando brilhos de fulgores mil, enquanto do mundo as
tristuras parecem ter ido embora.
Alva aurora contornada em feitio de flor, oferecendo aos
olhos um desafio promissor, de embrenhar-se nesta alvorada onde a beleza mora.
Flor cantada amiúde pelos trovadores, simbolizando a pureza,
a inocência e a mansuetude, enlevo singular alastrado na cultura popular como a
mais nobre entre as flores.
Lírios bucólicos a evocar Virgílio, simbólicos protagonistas
campestres, idílios silvestres, paragens gálicas esmaecidas, que remanescem dos
vigores célticos.
Lírios exemplos floridos, coragens renascidas na terra
agreste, onde verdores não brotam e as pedras sufocam, onde canções fenecem,
lírios florescem. Comprovam que a vontade é fremente, força veemente que habita
a todos. Vicejar é a máxima, florescer é imperioso.
Lírios formosos, sementes que germinam na terra ácida, fria,
sem candidez. Lírios por sua vez nos mostram, tácitos e cândidos, que a vida
flui. Exuberantes e perfumados, exalam pólens alados, festa em cores matizadas,
é retumbante a vibração.
Dentro de uma simples flor um Universo, lírio é verso de
amor!
