Memória solta, que teima em revivescer, em mansos mares ou águas revoltas, sentinela viva do aquiescer, se vai envolta, se levanta, das mantas profundas do reaparecer.
Momentos fortes, fulgurantes, jazem em lôbregos lagos inconscientes, vêm à tona surpreendentes, dos refolhos em jazidas comoventes.
Maresia mostra e anistia, instiga e alicia, as dobras em cuidados resguardadas. Ocultos segredos degredados, dormem em conchas servis e nacaradas. Vigem côncavas cavernas escuras, tristes solitárias sombreadas. O medo susta em mil obstáculos, segura, para não subirem à tona, as partes precárias.
Soares cativos de ondas que borbulham, num eterno romance ao mar de sentimentos. Meros conflitos que retornam, na forma ora vivenciada, o passo, o episódio e o momento.
Marulhos de tormentas, ondas que rebentam, orgulhos que entorpecem, suavidades que florescem em mornas calmarias, aonde ternas elegias vêm desfilar.
Mar do passado permanece no presente, onde risos contentes têm lugar para se aninhar. Vésperas nuviosas, poentes cor-de-rosa, manhãs claras e carinhosas em aprazíveis frescores vêm desabrochar.
Contracenam o agora e o antanho, onde o tamanho da herança mora, nas dobras da lembrança, nas profundas camadas da memória.
Laís Müller
Brasil
