Sonoridades
que se fazem em cumplicidade, clamor de outro amor que vingava outrora, e
que a um passado pertence agora.
O
que foi, se foi. Resta só o apreender, que o presente não pode o passado viver.
Maltratar-se
com o que não mais existe, é predizer, é querer jogar-se a uma vida triste.
Bem
melhor deixar ir, deixar partir, sem persistir, sem inflamar o sangue nas
veias, se é outra a paixão que incendeia.
Rondar
feito um fantasma, face à evidência que ora pasma, é fantasiar o que vige , num
festejar ao que aflige.
Talvez
melhor quebrar o elo, não entregar-se ao flagelo, abrir a mão , deixar que vá ,
e amores novos surgirão trazendo alegria e canção.
Aferroar-se
ao passado, fecha as portas ao nascedouro, sem dar as costas às supostas
alianças de ouro, que quiçá não lhe convém, pois nada segura se o sentimento
não perdura.
Afinal,
ninguém é de ninguém!
Laís Müller

