Parecia ignorar tudo ao seu redor, apenas tomando foco nas suas realidades interiores, que se faziam opostas àquela situação vivida.
Vinham de longe estas pausas que a levavam a distanciar-se dali. Revivia cenas, que para ela eram tão conhecidas, como se sempre estivesse ali sentada, por longas horas a fio, esperando por alguém.
A mente trazia tantas referências, que eram discorridas à guisa de um filme antigo.
Via-se numa seleta poltrona, em suntuoso xale envolvida e o olhar fixo a tomar deliberações.
Este pequeno pedaço de manto, ricamente bordado, trazia confidências, que estes tempos eram longínquos. Tempos em que se costumava atá-los a si, como uma forma carinhosa de abrigo.
Toda a consideração por aquela cena, que agora lhe era familiar, e se via outra vez envolvida na mantilha , para ela agora quase sagrada. Alheada, compondo o vislumbre, assim se via.
De onde provinha aquela pequena peça de vestuário?
Este viera a ser o seu enigma.
