Raios vespertinos tingem o horizonte rufam asas pombos em revoada
lânguida e enternecida na Praça de São Marcos me deixo a fruir áureo poente
refratada luz me rememora a delicada história tão comovente que ali vivi
raios que desfilam na linda vista vem dos dias em que eu era artista
encalçando sem lisuras romanceadas aventuras saboreadas ao cair do sol
sem comprometimento sucumbi a caprichoso alento de sedutor viajor que se foi
brinda-me a mente com cenários vários que se passaram em airoso revival
cantantes passeios elegantes devaneios alongam gôndolas a flutuar no canal
cenário mágico me ilude e inebria e em plena quietude vem do ar linda canção
vem saudando Veneza num soar de beleza em ternura e crueza de um trágico adeus
deu-se assim a rotura que separou a favor de outros ventos bem mais favoráveis
e nesta bela vista só com os dias memoráveis
esta pobre artista solitária ficou em contemplação
Doce Veneza me conta onde foram estes tempos que trago em meu coração

