No alvor da lua saio pela rua desconsolada
na murada de madressilvas nem uma flor
brilho refletido brinca nas calçadas salpicadas
caminho em vago ao encalço de calor
música métrica e trágica se declara
vem daquela sala num soar particular
império de violinos incursões de bandonéons
portenho sério tenor de voz portentosa
acena com uma rosa me invitando a bailar
é cálida a cena e o frio urge lá fora
o clima implora a proposta abraçar
luz de candelabros os meus olhos abro
só por esta noite contigo quero estar
vem me aquecer não quero fenecer
só nesta ruela venho desentristecer
bailar sincopado de um tango argênteo encorpado
magnetiza e me aviva ao som de Madressilvas
singela homenagem a Carlos Gardel

