sábado, 20 de setembro de 2014

Tango em noite de prata






No alvor da lua saio pela rua desconsolada

na murada de madressilvas nem uma flor

brilho refletido brinca nas calçadas salpicadas

caminho em vago ao encalço de calor

música métrica e trágica se declara

vem daquela sala num soar particular

império de violinos incursões de bandonéons

portenho sério tenor de voz portentosa

acena com uma rosa me invitando a bailar

é cálida a cena e o frio urge lá fora

o clima implora a proposta abraçar

luz de candelabros os meus olhos abro

só por esta noite contigo quero estar

vem me aquecer não quero fenecer

só nesta ruela venho desentristecer

bailar sincopado de um tango argênteo encorpado

magnetiza e me aviva ao som de Madressilvas

singela homenagem a Carlos Gardel