segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Entreolhar
Cabeças que vãs refletem modelos que se tem quando a consciência não acusa.
Na entreolhada que se dá, nada que possa segurar, quando a imagem que se louva não é a própria que se é, mas aquela que se desejaria ser.
Ser o que não é , leva a ver o que não existe e como falso reflexo triste, em cada ocasião, uma nova projeção de si, que se estende para ver se atende aos resquícios de uma sociedade fria e banal e porque não frívola e que não condiz com a projeção eficiente que deveria fazer de si.
Narcisos são falsos , são ocos, são seres que saem em burburinho pensando serem melhores que o oprimido que veem ali.
Narcisos são sarças não condizentes, fantasiosas serpentes, que raciocinam somente para se mirar.
Reflexos são certamente de uma sociedade que cultua a grandeza do lado do avesso do ser.
Quem não conduz a sua imagem à beleza real, leva a figura emblemática de uma sociedade escassa que não acata os valores decentes.
Ser serpente é ser narciso e tantos deles aí existem e são cultuados por todas as faces de um mídia incerta que ignota não adota valores morais e como cascas que são vão em busca de solução para toda a imperfeição que jaz dentro de pobres e mendigos corações.
Um narciso quando se mira no espelho vê a si como o alvo, como o alvor, quando a negritude que habita seu coração é sortilégio.
Falsa modéstia é anormal para esta condição que leva o ser à servidão de si mesmo.
Ser a casca, a aparência, quando de fato o que ignora, é que se buscasse um espelho devotado, que lhe narrasse com perfeição aquilo que vê, aquilo que nota, certamente sairia assombrado.
Narcisos são chagas de uma sociedade elitista que elege a hipocrisia por poder de minoria.
Reservar-se a si a maior parte do quinhão e o pobre que pede um pão é veementemente enxotado.
Narcisos não são caridosos com ninguém, não esbanjam um vintém, a não ser em seu próprio proveito, tem despeito de alguém que de fato, não dá valor à aparência e que usa o sabor do vento para os cabelos alisar.
Alijados de um mundo mais uniforme, usam extravagâncias disformes, para sobressair as suas posses, mas de onde elas saíram, isto é ocultado, pois narciso que se preze, este mesmo só elege a si, como o melhor, como o mais culto e que todos devem ser vassalos de si.
Quem muito se cultua se elege o melhor, o maior, o mais belo, como o mais poderoso também.
Muita ignorância convém ao narcisista, pois assim o seu domínio se faz facilitado, e e pobre povo que deslocado de valores culturais, jaz no fundo do poço, onde o belo e fervoroso moço, vai dos seus próprios encantos sorver.
