Quando te mirei pela última vez
não podia crer no que estava a ocorrer
flagrante ultraje trágica frase proferida sem sensatez
e de inesperado pus-me a sondar como agora viver
ao desabar a procela pensei não resistir
e aventei ir ao fundo feito náufrago a imergir
porém comparada a angústia oriunda
invasiva a ferir-me profundamente
veemente perscrutei por alternativa
esquecer era impossível de pronto
e incisiva dei-me uma chance
é cruel fenecer por um romance
em que fui relegada a último plano
do contundente e atroz desengano
vespertinas razões fizeram olvidar o mal feito
do dia em que a tristeza veio se insinuar em meu peito
meus olhos ainda te miram
naquela tarde tristonha
e aquela imagem bisonha
esplêndida à sua mercê
vem sempre se aninhar
é na minha retina
cravada com duro golpe
mas que ainda tenho a sorte
de sobreviver e muito bem sem você
