Quando no findar de uma tarde, caminhando calmamente após
cumprir meus compromissos do dia, deparei com muitas pessoas, que formavam um
aglomerado. Uns riam, outros conversavam e procurei averiguar do que se
tratava.
Ao acercar-me constatei um menino ativo e vivaz no centro de
um círculo. Exclamava aos brados, com todas as forças de seus pulmões:
- Quem deseja comprar crucifixos? Tenho vários modelos ao seu dispor! São
amuletos de proteção eficaz. Afastam quebranto, mau olhado, olho gordo, inveja...
E neste ínterim pude verificar como as pessoas se
interessavam por esta mercadoria. Exposta sobre uma mesinha, revestida com uma
cuidadosa toalha, bem estendida e bem guarnecida.
Estes amuletos são populares e muitos creem que, por estarem
de posse destes objetos, estão protegidos de males diversos. E apenas usando
deste artifício, muito usado rente ao pescoço, estarão sob guarda ou proteção e
que nada irá lhes acontecer, e deste modo estarão resguardados das adversidades
do dia a dia.
Usar um amuleto e não se comportar de acordo não vem a fazer
a menor diferença. Cá pensei com meus botões. Mas esta não parecia ser a
opinião dos que ali se encontravam , em fervoroso alvoroço, em busca de
proteção.
Pobre menino, poderia por alguém ser considerado um mercenário,
visto a imagem contida nos amuletos , que gentilmente oferecia. Porém a renda
desta preciosa féria seria provavelmente destinada para manutenção da família
em precárias condições.
Mercenário? Pensei eu. Acho que não! Positivamente, esses
parcos trocados irão acabar em boas mãos, que os destinará para uma utilidade
prática, que se faça precisa, veemente e necessária.
Outros quem sabe, bem mais comportados, que não participam
destas reuniões de venda, e que não têm
a menor necessidade urgente, praticam mercantilismo apenas para demonstrar, que
são de fato bem melhores que os demais.
Acenei ao menino, que me oferecia um escapulário . Sorri,
disse muito obrigada e me fui.
Segui o meu caminho, ainda pensativa e aproveitei o
espetáculo do ocaso, que acontecia naquele momento.